Marcado por troca de acusações e falta de propostas claras, confronto na Band frustra público na semana decisiva da eleição
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O primeiro confronto direto na televisão entre os candidatos à Presidência da República no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela Rede Bandeirantes na noite do último domingo (18), gerou forte frustração em eleitores e analistas. Em quase duas horas de exibição no estúdio da emissora, o encontro foi marcado por um clima ostensivo de hostilidade, ataques pessoais e escassez de apresentação detalhada de propostas para o país.
A decepção com o formato e com o conteúdo do embate ocorreu justamente no momento em que a campanha entra em sua semana decisiva. A votação do segundo turno das Eleições de 2026 ocorre no próximo domingo, dia 25 de outubro.
Lula e Flávio Bolsonaro utilizaram o formato do debate — que permitia aos candidatos gerenciar o próprio tempo de fala e caminhar livremente pelo palco — para intensificar provocações físicas e verbais. Durante boa parte da transmissão, o debate descambou para acusações mútuas envolvendo processos judiciais, investigações recentes e escândalos políticos.
- Ataques e controvérsias: Temas como a Operação Lava Jato, as investigações sobre fraudes no INSS e as suspeitas ligadas ao caso Master dominaram o tempo que deveria ser destinado ao detalhamento de planos de governo. Pessoas presentes na plateia, como o ex-juiz Sergio Moro, o ex-procurador Deltan Dallagnol e o ex-coach Pablo Marçal, reforçaram o tom de rivalidade no estúdio.
- Propostas superficiais: As raras menções a políticas públicas surgiram apenas em respostas aos questionamentos dos mediadores. Flávio tratou de segurança pública e confirmou o nome de Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde em eventual gestão. Já Lula abordou o fim da jornada 6x1 e relembrou a atuação do governo federal na pandemia de Covid-19. As declarações sobre economia e relações internacionais mantiveram-se genéricas.
O fracasso em apresentar discussões substanciais ocorre em um cenário de disputa acirrada voto a voto nos grandes colégios eleitorais do país, com atenção voltada de modo prioritário para a Região Sudeste. Segundo levantamentos de intenção de voto divulgados pelo Instituto Vox Brasil, o senador Flávio Bolsonaro lidera no Sudeste com 49,4% da preferência, contra 43,4% do atual presidente. Lula mantém vantagem nas regiões Norte e Nordeste.
A falta de novidades no debate pressiona ainda mais as coordenações de campanha no planejamento desta reta final. Sem disputas para governadores nos maiores estados do país, a mobilização direta dos eleitores e o engajamento em redes digitais tornaram-se o foco central dos dois lados.
Enquanto a candidatura petista aposta na ação de aliados e de frentes como o grupo "Exército do Lula" para mobilizar redutos eleitorais e combater a abstenção, a campanha do PL investe em mobilizações de rua, a exemplo de atos na Avenida Paulista, e na articulação da "Tropa do Flávio" no ambiente virtual.
Os dois presidenciáveis terão um último confronto televisionado na próxima sexta-feira (23), na TV Globo, antevéspera da ida definitiva dos brasileiros às urnas.

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