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Tecnologia e Segurança: entenda como funciona a Urna Eletrônica nas eleições

Sem conexão com a rede, urna eletrônica une testes públicos, checagem de código-fonte e impressão de relatórios para garantir a integridade da votação.

FOTO REPRODUÇÃO: URNAS BRASÍLIA DF 23.09.2026 URNAS LACRAÇÃO

Com três décadas de uso no Brasil, a urna eletrônica passa por constantes atualizações tecnológicas e possui uma estrutura de segurança desenhada para proteger o voto de mais de 158 milhões de eleitores. Para operar nas Eleições Gerais de 2026, a Justiça Eleitoral (JE) preparou 563.910 equipamentos, divididos em quatro modelos (UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022).

A seguir, veja os detalhes técnicos de funcionamento, a arquitetura de proteção e as etapas de fiscalização que compõem o sistema eleitoral brasileiro.

Avanços no hardware e desempenho das máquinas

Os modelos mais recentes (2020 e 2022) representam 77% de todo o conjunto de urnas em uso no país. Em comparação com o modelo de 2015, a versão UE2020 teve sua capacidade de processamento multiplicada por 18. As especificações técnicas que sustentam esse desempenho incluem:

  • Processamento e armazenamento: Equipadas com processador Intel Atom E3940 (1,16 GHz), 4GB de memória RAM e memória SSD, o que torna a resposta aos comandos do teclado imediata e acelera a inicialização da máquina.
  • Criptografia no próprio chip: A inclusão do Módulo de Segurança em Hardware (HSM), um chip físico com certificação ICP-Brasil, valida a assinatura digital do sistema operacional e impede o funcionamento de programas não autorizados.
  • Recursos de acessibilidade: O terminal do eleitor conta com a fonte Atkinson Hyperlegible (voltada a pessoas com baixa visão), barra indicadora do progresso da votação e suporte ampliado em Libras para votos brancos, nulos e de legenda. O terminal do mesário possui tela sensível ao toque para exibição da foto do eleitor na checagem biométrica.

Isolamento total da rede e cadeia de custódia dos dados

A base da proteção da urna eletrônica é o seu funcionamento 100% off-line. O aparelho não possui placas de rede, antenas de Wi-Fi, Bluetooth ou suporte para chips de dados móveis, o que elimina a possibilidade de invasões ou acessos remotos pela internet no dia da votação.

O fluxo de segurança físicos e digitais ocorre em etapas sequenciais:

  1. Zeríssima e lacração: Antes de iniciar a votação, a urna imprime a Zeríssima, relatório em papel que comprova a ausência de votos armazenados. O gabinete do equipamento recebe lacres produzidos pela Casa da Moeda; caso sejam violados, a máquina é invalidada.
  2. Boletim de Urna (BU): Ao encerrar a votação, o aparelho imprime cinco vias do BU com a contagem exata dos votos. Uma via fica visível na porta da seção eleitoral para consulta pública. Em 2026, os BUs trazem a assinatura de hardware no QR Code impressa diretamente com a chave privada do aparelho.
  3. Dados criptografados: O cartão de memória grava os dados de forma encriptada e com assinatura digital.
  4. Transmissão restrita: As informações gravadas nas mídias só são enviadas para a contabilização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir dos cartórios eleitorais, utilizando uma rede privada e própria da Justiça Eleitoral.

As 40 etapas de auditoria e fiscalização

O sistema passa por mais de 40 fases de checagem antes, durante e depois da eleição. Dentre os mecanismos de auditoria, destacam-se:

  • Inspeção do código-fonte: Meses antes do pleito, órgãos fiscalizadores (como Polícia Federal, OAB, partidos políticos e universidades) revisam o código do sistema. Para 2026, a versão do Kernel do Linux foi atualizada para 6.1.147, junto com a renovação das bibliotecas de software livre.
  • Teste Público de Segurança (TPS): Peritos e pesquisadores independentes realizam testes invasivos para apontar vulnerabilidades no sistema. Correções históricas motivadas pelo TPS incluem o bloqueio de ondas eletromagnéticas (2009), a correção do algoritmo de ordenação sequencial dos votos (2012) e a proteção do ambiente contra injeção de código (2017). Na edição de dezembro de 2025, 31 peritos executaram 35 planos de testes.
  • Teste de Integridade: No dia da votação, urnas oficiais sorteadas na véspera passam por um processo público e filmado de votação paralela em papel para conferir se os votos digitados coincidem com a apuração da tela. O procedimento também conta com uma etapa com biometria fornecida por eleitores voluntários.

Descarte das urnas e sustentabilidade

As urnas eletrônicas possuem tempo de utilização estimado em 12 anos. Ao atingirem o fim desse ciclo, o descarte é feito por destruição mecânica e moagem de suas peças para impedir o reaproveitamento inadequado de componentes, permitindo que mais de 95% do material do equipamento seja reciclado.

FOTO REPRODUÇÃO: URNAS BRASÍLIA DF 23.09.2026 URNAS

Assim, a urna demonstra ser mais do que um simples computador, é a garantia da democracia e segurança da votação. Ao unir tecnologia e transparência, o equipamento se consolida como pilar fundamental do processo eleitoral brasileiro, assegurando a ordem e a legitimidade do voto a cada eleição.

─ Com informação do Tecmundo e TSE 

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