Lula superou Flávio Bolsonaro no segundo turno, bateu a maior votação nominal da história do país e venceu em 183 dos 184 municípios pernambucanos.
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| Foto reprodução: pronunciamento de Lula após resultado da votação. |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um inédito quarto mandato à frente do Palácio do Planalto após protagonizar a primeira virada de resultado entre o primeiro e o segundo turno de uma eleição presidencial desde a redemocratização do Brasil. No pleito realizado neste domingo (25), o candidato petista alcançou 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), derrotando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,21% (59.813.109 votos).
Com a consolidação da apuração pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula bateu o seu próprio recorde histórico de votação nominal, superando as 60,3 milhões de marcas alcançadas em 2022. Entre os dois turnos de 2026, o presidente expandiu sua base em mais de 10 milhões de eleitores, impulsionado pelo engajamento nas redes digitais e pela redução do comparecimento abstencionista nas urnas.
Desempenho decisivo em Pernambuco
No cenário estadual, Pernambuco reafirmou sua tradição de forte apoio ao projeto petista. O presidente venceu no estado tanto no primeiro quanto no segundo turno, apresentando um crescimento expressivo na etapa final da disputa.
Enquanto no primeiro turno Lula obteve 63,45% das escolhas (3.553.971 votos), no segundo turno a preferência subiu para 69,20%, totalizando 4.117.513 votos de eleitores pernambucanos. Por outro lado, Flávio Bolsonaro caiu de 31,03% (1.738.043 votos) no primeiro turno para 30,80% (1.832.554 votos) na votação definitiva.
A hegemonia de Lula no estado foi demonstrada na divisão territorial: dos 184 municípios de Pernambuco, o petista saiu vitorioso em 183. A única exceção no mapa pernambucano foi o município de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, onde Flávio Bolsonaro liderou a preferência com 53,60% dos votos válidos (30.519 votos), contra 46,40% de Lula (26.421 votos), mantendo um padrão de comportamento eleitoral já observado na região em pleitos anteriores.
O comportamento dos eleitores pernambucanos acompanhou a tendência nacional de maior engajamento das urnas. A abstenção no estado caiu de 18,17% no primeiro turno para 15,18% no segundo, levando mais de 215 mil eleitores adicionais aos locais de votação. Os votos brancos e nulos em Pernambuco também registraram queda expressiva, encolhendo para 0,93% e 1,95%, respectivamente.
Mapa eleitoral e a dinâmica da campanha
Em âmbito nacional, o equilíbrio geográfico refletiu a polarização do país. Lula e Flávio Bolsonaro empataram no total de unidades da Federação vencidas, com 13 estados cada. O candidato do PL garantiu ainda a vitória no Distrito Federal. O ponto decisivo para a virada petista foi o desempenho em Minas Gerais, estado considerado um termômetro eleitoral histórico, onde Lula reverteu o resultado desfavorável da primeira etapa.
Além do Nordeste e do Norte, onde venceu em Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, o resultado mineiro garantiu a vantagem numérica necessária para a vitória nacional.
A campanha do segundo turno foi marcada por forte mobilização de militantes nas ruas e intensa atuação em canais de comunicação digital. A estratégia de redes e a redução da abstenção nacional — que caiu de 21,08% para 19,21% — foram apontadas como determinantes para neutralizar o avanço demonstrado pela oposição na composição das cadeiras do Congresso e governos estaduais no primeiro turno.
Compromissos e proximidade com o eleitorado
Em seus discursos de vitória, proferidos em São Paulo, o presidente reeleito destacou que pretende realizar o melhor governo de sua trajetória política a partir de janeiro de 2027. Lula apontou prioridades nas áreas de saúde, educação em tempo integral e investimentos em tecnologia própria, incluindo a intenção de desenvolver uma inteligência artificial nacional.
O presidente também enfatizou que mudará a dinâmica de comunicação de seu próximo mandato, buscando um diálogo diário e direto com a população por meio das plataformas digitais. Sobre a governabilidade diante de um Congresso de perfil mais conservador, reitera que atuará com base no respeito às instituições e na negociação política.
"Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. E ele foi eleito para governar com base no respeito da Constituição e na relação com o Congresso", declarou Lula durante seu pronunciamento.
Com o fim do processo eleitoral, as atenções em Brasília voltam-se para a transição de governo e a articulação das pautas prioritárias no Legislativo antes do início oficial do novo ciclo presidencial.

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